sábado, agosto 22

Cativeiro

Não dá pra ver através da porta, é daquelas de vidro esfumaçado, pelas quais só vemos manchas, mas está suja. As janelas estão limpas, mas só dá para ver as folhas das árvores que rodeiam a casa. É o suficiente somente para saber se é noite ou dia, sem mais precisão, isso já basta.

Estou aqui há quinze dias, já nem importa se chove, não chove, eu só queria sair e ver coisas velhas que seriam novas. Eu só queria estar livre.

Ela não me deixa sair, nem olhar lá fora, mas também não fica aqui, sai, volta só para lembrar-me que estou preso e que poderia sair, mas não consigo. Estou ficando bastante cansado disso, já escapei uma ou duas vezes, mas fui prontamente recapturado, incrivelmente gostei de voltar no começo, tinha me assustado com o mundo lá fora, três meses passam rápido.

Estou aqui há um ano, boas novas, ela nem volta mais, foi e prendeu outra pessoa, eu fiquei, saio e volto, vivo aqui agora. Eu sei que poderia ser mais livre, mas gosto de me manter preso.

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