sexta-feira, abril 24

Era uma apaixonada. Louca, insana, inconsequente. Mas no final, uma apaixonada. Não só por ele - ou aquele, como queiram. Mas pela vida, vida dele e dela, juntos, como um, que eram. Era apaixonada não só por acordar amando, que é fácil, mas também amando alguém que a amasse, que é difícil. Era amada por ele, que também era apaixonado por essa vida, dele e dela, juntos, como um, que eram. Mas era também apaixonado por ela, o que fazia dele, na concepção masculina, seu dono, o que não era. Ela, que amava a vida, não deixava de viver por ele, que deixava, mas não por ela e sim por pensar ser essa sua obrigação, que não era. Isso era ruim, de fato, não por ele, mas por ela, que ouvia dele, impiedosamente, sobre seu orgulhoso, mas burro, sacrifício. Ela, inocente, achou, por um tempo, que era obrigada a sacrificar-se também, que não era. Ela, depois do tempo, notou que não era dele, e decidiu, depois de analisar a situação, que devia deixá-lo. Ele, que a esqueceu depois de dois meses de choro, mudou-se e se casou com outra, linda, mas outra. Ela, que chorou por uma ano, nunca o esqueceu de fato, e até hoje chora sozinha quando ouve aquela música, que é deles, dele e dela, quando juntos, como um, que eram.

Um comentário:

  1. Depois do Garcia Lorca,só vc me fez chorar.Parabéns...É lindo...É maravilhoso!!
    "Ela, que chorou por uma ano, nunca o esqueceu de fato, e até hoje chora sozinha quando ouve aquela música, que é deles, dele e dela, quando juntos, como um, que eram."

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